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Se você tem mais 30 anos e é solteiro deve sim usar o Tinder

Geralmente a discussão sobre o Tinder foca no pessoal de vinte anos. Mas se você tem trinta e poucos ou mais, o aplicativo é uma das melhores formas de encontrar pessoas interessadas em um relacionamento.

Last updated on July 3, 2018, at 1:08 p.m. ET

Posted on February 25, 2015, at 4:03 p.m. ET

Alice Mongkongllite / BuzzFeed

O Tinder é "estúpido, prejudicial e só dificulta as relações humanas". Também é "tipo uma fábrica e você não pode nem sonhar que isso vai ser romântico". E não podemos esquecer de "a maturidade de ser adulto e de conviver com as decisões do outro não existem de verdade se o seu novo próximo amor está a apenas um curtir de distância".

Grande parte do que se fala sobre o Tinder foca no público-alvo: pessoas de vinte e poucos anos, gays ou héteros, em áreas urbanas (Nova York e Los Angeles, onde moro, são os dois maiores mercados para o app), que usam o Tinder para descolar ficadas e inflar ou torturar seus próprios egos enquanto checam as opções, geralmente fazendo comentários depreciativos sobre todo mundo que aparece.

Mas percebi uma coisa: apesar da popularidade do Tinder com o pessoal de vinte e poucos anos, ele é o aplicativo perfeito para quem está na casa dos 30 (ou mais) encontrar um amor. Ao envelhecer, as pessoas ficam naturalmente menos dispostas a relacionamentos casuais. (Exemplo: é muito cansativo. Depois dos seus 33 anos, não estar em casa depois das 10 da noite num dia de semana é raríssimo.) E, enquanto envelhecemos, o grupo de pessoas possíveis diminui consideravelmente, assim como as oportunidades de conhecer pessoas da mesma maneira que o pessoal de vinte anos conhece (bom, antes de o Tinder existir): através de amigos, em festas, em bares, no trabalho, na faculdade, sei lá. Existe algo muito reconfortante em saber que, de fato, existem pessoas por aí com a idade certa procurando a mesma coisa do que você.

Muitas críticas ao Tinder são críticas implícitas ao mecanismo para encontrar um par e à maneira como essa busca costuma fazer as pessoas mostrarem seu pior lado, julgador e passivo agressivo, em vez do seu melhor. Uma menina que trabalha comigo, Tamerra, me perguntou outro dia: "As pessoas acham que o Tinder as liberta da responsabilidade de serem sinceras? De mostrar quem elas realmente são? De deixar claro o querem em um relacionamento, como precisariam fazer na vida real?" Sim, o Tinder aparentemente nos protege dessa vulnerabilidade, mostrando só uma versão protegida de nós mesmos. Mas o Tinder não faz com que se apaixonar se torne mais fácil só porque facilita nossa exposição a centenas de milhares de pares em potencial. Apaixonar-se significa entender quem você é e ser seguro e feliz o suficiente para querer dividir isso com outra pessoa, aceitando todos os seus pontos vulneráveis. O Tinder não elimina nada disso e é bem irreal pensar que o faria.

Concordo com o professor de psicologia Eli J. Finkel, que recentemente defendeu o Tinder como "a melhor opção disponível" para "solteiros de mente aberta, que gostariam de casar um dia, mas que querem conhecer pessoas enquanto esse dia não chega". Acho que isso é especialmente verdade se você está com seus trinta anos e está procurando um relacionamento, e entende que encontrar pessoas é um meio de fazer isso acontecer. Existem, claro, exceções à regra, mas percebi que as pessoas no Tinder na casa dos trinta geralmente são muito mais receptivas à ideia de ter uma relação do que se imagina. Sou, inclusive, uma dessas pessoas.

Passei boa parte dos meus vinte anos numa série de relacionamentos monogâmicos relativamente curtos. Eu não “ficava” por definição, eu acabava era namorando caras que claramente não eram certos pra mim, mas ficava tão confortável em ter uma companhia que nem me importava. E isso foi no comecinho, no nascimento do namoro online: eu me cadastrei um tempo em um site e saí com algumas pessoas, mas era estranho e pouquíssimo natural, e eu não conhecia mais ninguém que entrava nesse tipo de site. E se entrava era em segredo, como eu. Então meus namorados eram caras que eu conheci na faculdade, ou no trabalho, ou por amigos em comum e, uma vez, no oftalmologista (ele arrumou meus óculos). Foi só nos últimos anos, quando eu já estava definitivamente nos trinta, que comecei a conhecer as pessoas de verdade e aprendi rapidinho que os únicos que realmente curtem marcar um encontro - ou seja, passar por aquele cortejo bizarro de mandar mensagens, não ser respondido na hora, receber uma resposta um tempão depois, marcar alguma coisa, remarcar e, finalmente, se encontrar e decidir em 30 segundos que aquela não é a pessoa para você, e depois fazer tudo isso de novo - são geralmente ou sociopatas ou masoquistas.

Quero deixar bem claro que a maioria das reclamações sobre o Tinder tem seu (cruel) fundamento, como aprendi no período de mais ou menos um ano em que entrava e saía do aplicativo. Fiquei viciada na sensação de dar match com alguém e de quando alguém que me deu match me mandava uma mensagem e, novamente, quando marcávamos alguma coisa. Sentia uma depressãozinha momentânea quando alguém que eu tinha certeza que daria match, baseada pura e simplesmente na fotinho e na descrição supercurta, não dava. E se eu ficasse uns dias sem conseguir nenhum match, me desesperava e pensava: será que já zerei toda a população de caras na minha faixa etária em Los Angeles, e nenhum deles se interessou por mim? Mas não, sempre tinha mais alguém para curtir.

Eu usei o Tinder tanto em viagens de trabalho quanto de férias e conheci algumas pessoas em Nova York - só pra ver como era, eu me dizia - e fiquei fascinada com as diferenças entre as fotos dos caras da Noruega (muitos esquiadores), de Boston (vários bonés de beisebol) e de Israel (quanta gente sem camisa!). Levei o celular para cama antes de dormir, algo que sempre foi tabu para mim, para conseguir checar todo mundo possível até pegar no sono. Usei o Tinder no bar, usei o Tinder no banheiro. E quando começava a sentir que estava perdendo meu tempo, deletava o aplicativo, dava uma pausa de uns dias ou até semanas e depois baixava de novo.

Meu perfil era basicamente o mesmo em todas as vezes que entrei e saí do Tinder e tudo nele era verdade. Eu realmente trabalhava com mídia digital, realmente nasci em Boston, realmente era uma novata em LA, realmente adorava tacos e abacate e realmente conheci dois gatos famosos na internet, ainda que eu prefira cachorros. Eu tinha cinco fotos, com momentos e roupas e cabelos diferentes da minha vida. No fundo eu queria mostrar que sou super-acessível (mas não desesperada!), bonita sem ser bonita demais a ponto de intimidar os outros, engraçada sem ser paga pra isso (importante, já que em LA todo mundo faz stand-up comedy). Finalmente deixei de lado a obsessão de ser “aquela mulher” - aquela que fala tudo o que quer em um relacionamento, super-confiante, que deixa bem claro quais são suas necessidades. Eu me preocupei em criar um perfil que mostrasse o que queria num relacionamento, mas sem ser muito explícita, selecionando um pouco os futuros pares.

Mas se meu perfil permaneceu quase sempre o mesmo, minha experiência no Tinder mudou a cada vez que saí e voltei, como se dar esse tempo fosse uma oportunidade para o aplicativo se adaptar melhor a mim. Quando comecei a usar o Tinder, no meio de 2013, a maioria dos caras tinha seus vinte e poucos anos - novos demais - e pareciam só querer uns beijos. Até troquei umas mensagens com esses caras, mas cansei bem rápido. No fim das contas, será que eu realmente iria para casa de um bartender de 24 anos às dez da noite para "tomar uns drinks"? Não, porque a época em que eu curtiria fazer isso, se é que ela existiu, já passou. Mas, com o tempo, a média de idade dos meus matches foi aumentando e logo notei uma mudança no meu envolvimento com quem usava o aplicativo - e que eles, também, estavam entendendo melhor a mensagem que eu queria passar com meu perfil.

Percebi bem rápido que todo esse tempo no Tinder fez eu me sentir muito mais empoderada. Agora eu era quem decidia se queria sair com alguém de novo. Passei tanto tempo condicionada a acreditar que não era minha essa decisão (valeu, Nova York!) que me tornei passiva. Estava sempre tão louca para saber se alguém gostava de mim que esqueci o mais importante: saber se eu gostava da pessoa. E encontrar tanta gente diferente - mesmo que só no aplicativo - me ajudou a entender o que eu realmente estava procurando.

Primeiro, aprendi o que não estava procurando. E, também, que algumas pessoas não são o que você procura, mas tudo bem! Essa é a beleza do Tinder, e do mundo: existem os mais variados tipos de pessoas. Meus vetos: quem usa foto de perfil segurando uma cerveja; quem usa foto de perfil sem camisa, de cabeça pra baixo, fazendo uma pose de yoga (talvez só aconteça em LA); quem é profundamente entusiasta da própria carreira (estou velha demais para isso); quem mora em Orange County (muito longe e muito exclusivo); quem escolhe uma foto segurando orgulhosamente um peixão que acabou de pescar. (De fato dá para intuir muita coisa sobre alguém só de olhar para suas fotos.) Eu curtia homens engraçados e inteligentes e que faziam algo criativo da vida. Eu curtia homens gentis.

Sempre odiei esse tipo de história, seja uma matéria sobre o amor moderno no New York Times ou um artigo publicado em qualquer lugar sobre uma garota que finalmente, FI-NAL-MEN-TE, encontrou o amor e viveu feliz para sempre. Então essa não é mais uma dessas histórias, primeiro porque sou velha demais e já sei que não existe "felizes para sempre", que "para sempre" significa milhões de coisas diferentes e que, além disso, vai que um asteróide mata todos nós amanhã. Mas quero concluir assim: depois de um ano no Tinder, muitos matches e muitos, muitos não-matches, eu achei o match ideal em março passado. Trocamos mensagens tipo um dia inteiro, depois falamos no telefone por uma hora e meia e depois tivemos o melhor primeiro encontro de nossas vidas, onde falamos sobre absolutamente nada e absolutamente tudo e eu avisei que não namoro fumantes e ele decidiu parar de fumar na mesma hora. Ele é inteligente e engraçado e bonito e, o mais importante, gentil e atencioso de uma forma que me faz repensar como trato os outros. E outro dia, quando eu não estava muito bem, ele dirigiu 25 minutos até um restaurante vietnamita só para comprar uma canja que eu gosto e me trazer. Às vezes a gente fala sobre o que teria acontecido se não tivéssemos dado “curtir”. E fico muito feliz que os dois deram.

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